Nós seres humanos somos dotados de uma necessidade de antecipar as coisas e por isso antecipamos de forma grosseira, clichê... Assim nasce vários preconceitos, e não foi diferente com a viagem que foi proposta, em minha mente imaginava que o lugar era muito bonito (pelo hábito de cuidar das coisas, muito comum no Japão), porém, achava que a viagem era só mais uma perda de tempo, como várias visitas que já fiz.
Outra habilidade comum no ser humano é a de surpreender e de mudar de opinião. No início só via uma vegetação e casinhas bonitas, uma arquitetura simples, mas exaltada em contado com a natureza, muito mais bonito do que minha cabeça poderia imaginar.
Chegamos num local acompanhados de um homem (que me foge da mente o nome), à um mini auditório e que estaria ali para dar uma pequena amostra do que seria aquele lugar, e fui apresentado ao lugar maravilhoso chamado Mosteiro Zen Budista de Ibiraçu, a cada palavra me encantava mais e mais com aquelas pessoas e aquele lugar, desde o início com a vinda de monges do Japão, as lendas criadas sobre eles pela igreja católica, e a teoria de sustentabilidade pregada ali, essa por sinal virou um dos lemas que uso na minha vida “você faz uso, tira proveito das coisas, mas quando terminar deixa igual ou melhor que quando você pegou, para as próximas pessoas”...
Parece uma frase tão simples, mas que faz tanto sentido, em seguida fomos a uma casinha que abrigava uma estátua de madeira de um ser que representava uma força que sempre estava ligada a área natureza, é a história de vida do Buda histórico, toda esculpida em quadrinhos.
Depois de um breve momento de descanso visitamos os templos, chegamos a melhor parte a NÃO AÇÃO, é um pouco complexo, mas resumidamente é um momento de parar se concentrar e focar em você mesmo.... Foram sem dúvida os dez minutos mais rápidos da minha vida mas a surpreendente sensação foi marcante, ao chegar a hora do adeus só pensava em ficar ali pra sempre, como não é possível quero pelo menos levar um pouco dali comigo...

